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Amigos ausentes, amores antigos e a estação das brumas Wednesday, July 8, 2009

Posted by Ágata in Diálogos, Lembranças, Música, Textos aleatórios.
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enrico diz:
A vida é mesmo feita de pequenas alegrias, e uma delas é de repente ver-se lembrado por uma amiga que não vê faz tempo =)

Porque tem acontecido coisas tão boas, que o mais óbvio é sempre eu lembrar das pessoas que estão ausentes por caprichos da vida, mas são sempre presentes de forma tão arraigada no coração que qualquer encontro nosso à toa já nos torna de novo dois adolescentes que ficavam no icq até as 4h da manhã, até minha mãe acordar e me dar uma bronca de madrugada. Mas os assuntos agora são estranhamente diferentes. A vida nos mudou, o estudo da mente humana te abriu os olhos, a humanidade arregaçou os meus. E nós não somos mais tão crentes.

enrico diz:
no fundo acho que é disso que eu tenho medo
de virar adulto e não ter mais volta
Ágata – [ silêncio ] diz:
tudo que a gente faz não tem volta. só que a gente só vai percebendo isso conforme vai ficando mais velho…
“envelhecer é só ter mais consciência de que se vai morrer”
enrico diz:
é, mas “virar adulto”… responsável pelos seus atos, a porra toda…
Ágata – [ silêncio ] diz:
acho que no fundo, eu me joguei nessa “vida adulta” tão cedo que nunca vou virar adulta por completo =P
é sempre uma brincadeira de gente grande que não tem volta
ah, essa coisa de “responsável”… no fim a gente continua o mesmo, só tem que bolar desculpas pra outras pessoas xD

E no fim das contas a gente cresce, muda, e continua o mesmo. É sempre brincando de ser gente grande, brincando de que tem um sentido nisso tudo, fazendo de conta que a última frase que vamos ouvir é “e eles foram felizes para sempre…”

Ágata – [ silêncio ] diz:
dinheiro vem e vai, coisas vem e vão… só falta eu aprender que pessoas tb vem e vão 8-)
enrico diz:
isso é dificil, pq as pessoas tbm nao aprendem
aí te julgam insensível ou coisa assim por viver sem se apegar tanto a elas
Ágata – [ silêncio ] diz:
eu já tentei não me apegar. já tentei ignorar isso, e descobri que minha natureza é se apegar, é gostar, até amar de um jeito estranho, eu diria. Mesmo que eu saiba na teoria que pessoas vem e vão, meio que decidi que isso não vai me impedir de querer que elas fiquem
o problema é que com isso eu praticamente decidi sofrer mesmo a cada vez que alguém vai embora, o que não é muito inteligente de se fazer xD
enrico diz:
sei lá, eu meio que descobri que na era digital, pode-se ficar 2 ou 3 anos sem falar com alguém e então retomar uma amizade intensamente
é, bom, melhor sofrer de verdade que ser feliz de mentira

É melhor. É a escolha que eu fiz, e que não poderia viver sem ela.

E eu tento me lembrar que pessoas vem e vão, mas nunca me lembro de que elas voltam. Como uma surpresa, quando menos se espera, como quem sempre esteve ali. Porque sempre estiveram ali. O que são anos? O que fazer com os amigos de infância que eu não tive, com as poucas pessoas que convivem comigo desde criança e como elas mudaram, com as pessoas que longe ou perto – ou mais longe ou mais perto – me acompanham desde que eu comecei a me achar gente. Anos, anos. Eu as vi bem, mal, acompanhei aniversários, não acompanhei, levei pra casa, fui pra casa delas, compartilhei uma tarde ou um colchão jogado no chão ou uma conversa até o metrô. Ou uma promessa no escuro, que não importa se seria cumprida ou não.

enrico diz:
Juro, psicanálise é a coisa mais perturbadora que eu já estudei
Recomendo Freud para todos aqueles corajosos e lunáticos o bastante pra descer até os porões da alma
Pq puta merda…
A primeira vez que você vê uma pessoa falando, falando, falando… e nota que ela está falando OUTRA coisa, que vc vê o insconciente de alguém…
perdi a conta de quantas vezes fiquei lá em casa, sentado na cadeira… com alguém deitado no colchão da sala, falando…
uma conversa comum
mas aí me calo por, sei lá, meia hora inteira
e de repente me sinto um analista com seu paciente no divã
Ágata – [ silêncio ] diz:
acho que psicologia é pros fortes, se é que vc me entende
enrico diz:
é sim
ou pros ingênuos
Ágata – [ silêncio ] diz:
pela quantidade de lixo que vc vê que uma pessoa esconde e que as vezes nem sabe que está lá
não acho que alguém possa sair ingênuo disso
ou incólume

Seria a mesma coisa que querer sair ingênuo/incólume da vida. Das pessoas que passam pela nossa vida. Que querer não chorar, não se desesperar e não ter esperanças idiotas.

Acho engraçado ser tão nova e tão nostálgica. E olha que eu nunca tive amigos de infância. Mas acho engraçado…o tempo vai passando, e a gente vai descobrindo que o eterno não existe, mas ainda assim existe de uma forma meio estranha. Na forma de pessoas e fatos e lugares e situações que literalmente passam a fazer parte da pele. Se tornam parte de nós de forma tão profunda que qualquer tentativa de tira-los é arrancar pedaços de nós mesmos.

Isso sim acaba sendo eterno.

Isso e as memórias, que são só o que nos resta.

Ágata – [ silêncio ] diz:
era bom, né?
enrico diz:
era do caralho

E mais uma vez não consegui terminar o trabalho que tinha que terminar. Culpa do msn, da webcam e de nostalgias e amizades. Culpa?

Amanhã tudo se resolve, não tem problema.

É, tô nostálgica.

Aos meus amigos, que fazem parte de mim tanto quanto eu mesma :*

E vou dormir novamente as quatro e meia da manhã…

A whisper in time, a whisper in time
Things that I can’t shake from my mind
A whisper in time, a whisper in time
Moments that just flicker and die

‘Cuz we are messengers of memory
Just whispers in time

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